Como as nanopartículas podem ajudar a imunoterapia a aquecer tumores frios


Ao combinar nanopartículas projetadas com terapias de base imunológica, os pesquisadores estão explorando novas maneiras de transformar tumores “frios” resistentes em alvos imunoativos, ao mesmo tempo que melhoram a administração de medicamentos, reduzem a toxicidade e avançam na próxima geração de oncologia de precisão.

Como as nanopartículas podem ajudar a imunoterapia a aquecer tumores frios

Análise: A nanotecnologia encontra a imunoterapia: conversas cruzadas contra o câncer. Crédito da imagem: Fotos CI / Shutterstock

O tratamento do câncer está entrando em uma nova fase em que nanotecnologia é combinado com o sistema imunológico do corpo para atingir as células malignas com mais precisão. Um artigo de revisão recente na revista Imunidade, Inflamação e Doença explorou como nanopartículas projetadas (NPs) pode superar as limitações das imunoterapias contra o câncer atualmente aprovadas.

Os investigadores observaram que os inibidores do ponto de verificação imunológico atualmente aprovados beneficiam apenas 12% a 35% dos pacientes, destacando a necessidade urgente de estratégias mais eficazes. A revisão destaca que a nanomedicina pode reprogramar o microambiente tumoral (TME) e converter tumores “frios” em tumores imunologicamente ativos, abrindo caminho para terapias mais direcionadas.

Representação esquemática do crosstalk bidirecional entre plataformas baseadas em nanopartículas e células do sistema imunológico na imunoterapia contra o câncer. Diferentes nanoplataformas, incluindo inorgânicas (metálicas), à base de lipídios e nanopartículas poliméricasinteragem com células imunológicas essenciais para melhorar a apresentação de antígenos e estimular respostas imunes antitumorais dentro do microambiente tumoral.

Nanotecnologia como plataforma facilitadora em oncologia

O desenvolvimento da terapia do câncer progrediu da quimioterapia tradicional para abordagens de imunoterapia mais direcionadas. No entanto, os tratamentos convencionais enfrentam frequentemente desafios como toxicidade sistémica, elevadas taxas de recorrência e imunossupressão. TME. A nanotecnologia aborda esses desafios através da Permeabilidade e Retenção Melhoradas (RPE) efeito, no qual vasos sanguíneos tumorais com vazamento permitem NPsnormalmente com tamanho de 10-100 nm, para se acumular seletivamente em tecidos cancerígenos.

Usando nanocarreadores, os cientistas podem melhorar a solubilidade de medicamentos hidrofóbicos e proteger materiais genéticos, como ARNm e siRNAda degradação na corrente sanguínea. Estes sistemas em nanoescala também podem ser modificados com anticorpos ou peptídeos para atravessar barreiras biológicas, incluindo a barreira hematoencefálica. Esta abordagem de entrega direcionada ajuda a reduzir os efeitos fora do alvo, ao mesmo tempo que aumenta a disponibilidade de terapias imunomoduladoras nos tumores.

Projetando Nano-Imunoterápicos Eficazes

Os pesquisadores examinaram as propriedades físico-químicas de várias nanoplataformas, com foco no design estrutural de materiais, incluindo nanopartículas metálicas.MNPs), nanopartículas à base de lipídios e sistemas poliméricos, como PLGA (Poli(ácido láctico-co-glicólico)). Um grande foco estava em NP otimização do tamanho, pois partículas menores que 10 nm são rapidamente eliminadas através da excreção renal. Em comparação, aqueles maiores que 110 nm podem ficar presos no sistema linfático.

A revisão também investigou nanocarreadores “inteligentes” com mecanismos de liberação responsivos a estímulos. Esses sistemas permanecem estáveis ​​durante a circulação, mas liberam sua carga terapêutica quando expostos a condições dentro do TMEcomo ácido pH ou enzimas específicas. Além disso, os autores exploraram abordagens biomiméticas, incluindo células revestidas por membrana celular NPs e exossomos artificiais, que imitam estruturas biológicas naturais para evitar a depuração imunológica e prolongar o tempo de circulação.

Melhorando as respostas imunológicas

A revisão destaca avanços significativos na superação da resistência em tumores “frios”. NP– entrega mediada de adjuvantes, incluindo TLR9 Agonistas (Toll-Like Receptor 9), como CpG, podem ativar células dendríticas e estimular a liberação de citocinas pró-inflamatórias.

Um importante exemplo pré-clínico envolveu lipoproteína sintética de alta densidade (HDL) NPs. Em modelos de carcinoma de cólon de camundongos, estes NPs, combinado com anticorpos anti-PD-1 (proteína anti-morte celular programada 1), alcançou uma taxa de remissão completa de 80% e aumentou em 7 vezes a infiltração de linfócitos T citotóxicos, sem a cardiotoxicidade associada aos quimioterápicos livres.

Outra descoberta importante foi o efeito abscopal das nanopartículas metálicas durante a terapia fototérmica (PTT). Nanoconchas de ouro e nanopartículas de óxido cuproso absorveram comprimentos de onda específicos de luz, gerando calor localizado que destruiu tumores primários. Este processo também liberou padrões moleculares associados a danos (DAMPs) e antígenos associados a tumores, ajudando o sistema imunológico a reconhecer e atacar tumores metastáticos distantes.

Aplicações clínicas e progresso translacional

A nanotecnologia é cada vez mais aplicada na imunoterapia contra o câncer. Nab-Paclitaxel (Abraxane), uma nanopartícula ligada à albumina de 130 nm, melhora a administração de medicamentos direcionados ao tumor, utilizando transcitose mediada pelo receptor gp60 e a proteína SPARC dentro do TME. Num ensaio clínico de fase II, a combinação de Nab-Paclitaxel com ciclofosfamida e trastuzumab alcançou uma taxa de sobrevivência livre de doença de 100% durante 24 meses em pacientes com HER2 (Receptor 2 do Fator de Crescimento Epidérmico Humano) – câncer de mama positivo.

Estas plataformas também estão a ser exploradas para o desenvolvimento de vacinas contra o cancro. DepoVax (DPX-0907) usa encapsulamento lipossomal para reter sete epítopos tumorais e apoiar a apresentação prolongada de antígenos ao sistema imunológico em uma abordagem de vacina de células dendríticas investigada em ensaios de fase I para câncer de mama, ovário e próstata. Além disso, nanodiscos estão sendo desenvolvidos para superar a resistência a múltiplos medicamentos (MDR) contornando as bombas de efluxo da glicoproteína P que removem medicamentos das células cancerígenas. Outras plataformas e combinações baseadas em nanopartículas estão sendo investigadas em vários tipos de câncer, incluindo câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC), câncer de mama, tumores sólidos avançados e adenocarcinoma pancreático.

Terapias Adaptativas e Personalizadas

Em resumo, a integração da nanotecnologia e da imunoterapia representa uma mudança significativa no tratamento do cancro, com potencial para tornar alguns cancros mais responsivos ao tratamento de base imunitária. A revisão enfatiza que os avanços futuros dependerão fortemente de plataformas teranósticas capazes de diagnosticar, gerar imagens e tratar tumores simultaneamente.

Embora continuem a existir desafios relacionados com o fabrico em grande escala, a biossegurança, a segurança a longo prazo, a precisão do direcionamento, a variabilidade dos lotes e a aprovação regulamentar, a investigação atual mostra progressos promissores. Os pesquisadores também destacam o papel inteligência synthetic (IA) e modelagem computacional na previsão de pacientes específicos NP distribuição dentro do corpo. Ao melhorar a interação entre engenharia NPs e o sistema imunitário, as terapias futuras poderão tornar-se mais adaptativas e personalizadas. No geral, a nanotecnologia fornece uma base robusta para uma imunoterapia mais precisa e direcionada.

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